TOMANDO O AMOR DE NOSSO PAI E NOSSA MÃE


TOMANDO O AMOR DE NOSSO PAI E NOSSA MÃE

Extraído do livro: Onde estão as moedas?

Juan Garriga Bacardi

- As moedas simbolizam tudo que recebemos de nossos pais, as alegrias e as tristezas, incluindo, é claro o presente maior que é a vida.

- Em sentido transgeracional, por nossas veias corre sangue e a experiência de muitos antecessores, concretizadas nas respectivas famílias de origem de nossos pais, com todas as vicissitudes que lhes tocou viver.

- Aceitar as moedas de nossos pais significa aceitar tudo exatamente como foi, sem pôr nem tirar, incluindo o doce e o cruel, o alegre o e triste, o leve e o pesado. Pela simples razão de que essa é a nossa herança e o conjunto de experiências vividas que nos constitui.

- É possível, ainda que difícil, dizer sim a tudo que nos chega por meio de nossos pais, sem pôr nem tirar. Podemos aceitar tal e como nos chegou, com todas as suas consequência, sem deixar de seguir nosso próprio caminho, cumprindo o trajeto pessoal e tendo a coragem de transformar os pesares em recursos.

- As pessoas que avançam nesse processo costumam se sentir mais íntegras, congruentes e afetivas.

- Se não gostamos de algo em nossos pais, porque devemos aceitá-los ? A resposta a essa pergunta é muito simples: o que reprovamos nos aprisiona, e só o que amamos nos liberta.

- O enfoque sistêmico nos mostra que, além de possuir identidade individual, fazemos parte de um coletivo maior.

- O amor cresce com a Ordem, e a Ordem sugere sua geometria e sua hierarquia:

- que os pais sejam pais e grandes e que deem principalmente a vida. E que os filhos sejam filhos e a aceitem.

- que os filhos não interfiram nos assuntos dos mais velhos.

- que os filhos honrem seus pais fazendo algo de bom com sua vida, renunciando àsimplicações trágicas dos que sofreram antes ou que foram banidos do amor familiar. Devem abandonar a tendência de repetir os destinos fatais presentes em todas as famílias.

- Apenas desse modo a Ordem é respeitada e o Amor que liberta pode fluir.

- O que nos cura é abraçar nossos pais em nosso coração, e não tanto ser abraçados por eles.

- Abraçar é um movimento espiritual. É dizer sim para a existência, para o que ela traz e requer em cada momento. Porque os pais são os representantes da existência. Por meio deles a vida se manifestou e nós podemos cuidar dela.

- Há outra razão poderosa que pode nos levar a dar início à tarefa de restaurar o amor por nossos pais: só conseguimos amar a nós mesmos quando amamos e honramos nossos pais.

- Por isso, quando somos capazes de amá-los, honrá-los, dignificá-los e respeitá-los, podemos fazer o mesmo com a gente mesmo e ser livres.

- Muitas pessoas conservam imagens muito vivas de acontecimentos difíceis e em contrapartida, esquecem centenas de momentos em que foram estimadas, cuidadas, alimentadas, amadas, abraçadas, etc. E sem cuidados não há vida, não é possível sobreviver.

- Ainda que de fato nada exima os pais quando têm comportamentos destrutivos, se dermos uma olhada no cotidiano dos pais, vemos a quantidade de dedicação e ocupações que requer para criar um filho.

- Confúcio afirma que uma ofensa não é tão grande coisa, exceto pelo fato de que nos empenhamos em recordá-la.

- O único lugar possível onde podemos viver é o presente, e as imagens e sensações tristes, dolorosas ocorreram no passado. Portanto pertencem a outro momento e tempo. De modo que uma ferida não é grande coisa, exceto se nos empenharmos em recordá-la.

- Muitos que não aceitam suas moedas e permanecem na queixa ou no ressentimento se comportam, quando mais velhos, como seus pais ou reproduzem comportamentos daninhos iguais ou recebidos.

- O sofrimento também é capaz de nos fazer mais plenamente humanos.

- Há pessoas que amparando-se em pequenas frustrações com seus pais, se acham no direito de ter uma vida escassa ou penitencial e culpam os pais para justificar seus erros e fracassos.

- Em geral as pessoas que realizam o processo interior de aceitar suas moedas e ficar em paz com seus pais e com sua história se sentem melhor consigo mesmas, estabelecem relações adultas e espontâneas mais facilmente e retribuem à vida com o que possuem.

- As pessoas que recusam suas moedas se sentem mais vazias e esperam que outros, ou alguma coisa, as preencham: às vezes o cônjuge, os filhos ou o trabalho ou ainda a requeza, a justiça, a religião ou o que quer que seja; e resistem a dar o que têm para dar à vida.

- Quando não aceitamos a realidade do que nos tocou, de certo modo também negamos a nós mesmos. Quem nega suas origens apaga sua identidade. Quem amputa uma parte de sua trajetória se encontra eternamente em fuga, inquieto.

- Sartre dizia: "Não importa tanto o que me fizeram , mas o que eu faço com o que me fizeram"

- Apenas conseguimos transcender o que aceitamos.

- Nenhum sofrimento concede direitos, nenhuma postura existencial edificada sobre feridas concede merecimentos.

- Podemos aceitar nossos pais por meio da humildade e amparados em um desejo verdadeiramente real de ser livres e felizes.

- Na verdade nós mais tememos a plena liberdade do que a desejamos, porque ela nos deixa despidos diante de nossas mais profundas verdades e da responsabilidade de nossa vida.

- Muitas pessoas preferem sofrer e reclamar que agir e tomar a vida em suas mãos, gozando de sua parcela de bem-estar e se desenvolvendo em direção a seu interior feliz.

- A pretensão de não aceitar os pais é isto, pretensão. Porque quem somos nós para não aceitar algo que a vida determinou ? A vida impõe sua realidade e nós podemos, no máximo nos esgoelar em vão, gritando que deveria ter sido diferente, mas só perdemos nossa energia com isso. “Consentimento é libertação”. “Oposição é sofrimento”.

- Algumas pessoas preferem não aceitar seus pais para se poupar do trabalho de levar a vida a sério e preferem sofrer e com isso fazem sofrer os demais.

- Muitas vezes conseguimos aceitar nossos pais por meio da rendição, ao compreender que eles também tiveram problemas. Desse modo nos colocamos em paz conosco e com a nossa história.

- Nas profundezas da alma, ainda que o filho recuse seus pais, também se identifica com eles. E quando não pode aceitá-los e amá-los, tampouco consegue querer a si mesmo.

- No fundo, é difícil dedicarmos um amor genuíno para conosco mesmos, se ao mesmo tempo não fizermos o processo de amar e respeitar nossos pais. Ame-os e seja livre.

- Os sistemas familiares atuam como um todo, como uma mente coletiva, e tendem a atrair ou repetir o que ocorreu antes, especialmente quando não foi resolvido pelo amor e pela aceitação.

- Alguns filhos pensam que têm de querer bem um de seus pais, que classificam como bom e devem desprezar o outro, que denominam mal. Ou seja, dividem seu coração entre o bem e o mal e se colocam como juízes. O paradoxo é que é muito comum que logo procurem pessoas parecidas ao pai rejeitado ou eles próprios se pareçam com ele.

- O único remédio é a inclusão e a abertura do coração, de maneira que o passado possa ficar como passado.

- Há tanta grandeza no fato de ser pai! E há tantos pais por trás de cada pai, raízes antigas em cada história familiar...E todos souberam como exercer esse papel para que a vida prosperasse, por isso estamos aqui.

- Cada pai encontra sua grandeza quando é respeitado como tal e também quando sente o direito de não ser perfeito e cometer erros.

- Aceitar as moedas é uma meta que devemos alcançar para conquistar a paz e a reconciliação com nossos pais, com a vida, com os demais e com a gente mesmo.

- Sim para a vida tal como ela é, a nós tal como somos, e aos demais, tal como são. A nossos pais, tal como são e como foram, veículos providenciais de nossa existência e muito mais.

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